quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Scott is missing

Conheci um rapaz no ônibus hoje. Pediu pra senhora que estava ao meu lado que trocasse de lugar com ele. Foi engraçado, sentou-se e disse: "Amei a tua camiseta!". Eu vestia uma camiseta de Doctor Who. Instantaneamente começamos a falar sobre o seriado em questão e parecia que nos conhecíamos há décadas. Qualquer um teria pensado isso, se tivesse se importado suficientemente com aqueles dois idiotas sentados no primeiro banco, à esquerda. Seu nome é Ricardo.

Ele me lembrou alguém que há muito tempo conheci... Uma pessoa que, infelizmente, hoje não existe mais. Vamos chamá-lo de Scott. Scott, esse meu amigo que hoje não existe mais.

Eu não sei porque ele se foi, só sei que as coisas foram ficando esquisitas, eu surtei, ele surtou, e então a gente não se falou mais. A certeza que tive era de que, enquanto eu fazia suas vontades, éramos amigos; depois que eu decidi viver um pouco e fazer aquilo que eu queria fazer, ele desistiu de mim.


Sabe, Scott não foi o primeiro e provavelmente não foi o último a fazer isso, a fazer uma idiotice dessas. Largar de mão, sair a passo, quando eu fiz algo que interessasse exclusivamente a mim mesma. Acho que as pessoas se assustam quando uma garota faz algo por si, afinal, isso pode gerar outras ideias malucas, como... Independência. É, isso seria o fim. Uma garota independente! O fim de uma era!

Ricardo me lembrou dos momentos bons que eu e Scott tínhamos quando ele ainda era vivo. Nós simplesmente saíamos e íamos conversando sobre vários assuntos, incluindo Doctor Who. Era tanta coisa pra falar que vários anos de amizade e muitas noites em claro não foram suficientes pra tratar de todos os temas relevantes. Nem todas as "lan parties" foram jogadas e muitos jogos deixaram de ser zerados em razão do rompimento.

Gosh, eu não queria que ele tivesse ido embora. O sorriso de Ricardo me lembrou o dele, e olha que o sorriso de Scott era meio raro - ele não gostava muito de sorrir. O que era engraçado, porque seu sorriso enchia o recinto de alegria, e era bom saber que existia esperança naqueles dias nebulosos.

I miss Scott. I miss our friendship. I wish he was alive.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A long, long time ago

Seis meses e nove dias sem postar. Acho que sempre me senti confortável de chorar as mazelas aqui, talvez por ninguém ver o blog ou por eu simples e deliberadamente ter decidido não divulgá-lo. Não sei. Estou cansada... Fim de semestre, atucanação de fim de ano. Foram muitas descobertas e aprendizados em 2014, acho que estou curtindo esse ano mais do que curti os outros. Bom, não sei dizer ao certo. Quem saberia dizer?

Daqui uns dias completo vinte e três anos e ano que vem é provavelmente meu último ano de faculdade, e acho que não me sinto preparada para nenhum dos dois. A vida tem sido uma sucessão de desastres marcada por acontecimentos incríveis, como a minha viagem para BH nas férias de julho e a entrada para o Whovians RS em fevereiro.

Enfim... Até um dia, quem sabe.

"I wish I could believe that. But every time I've seen this world change, it's always been for the worse."

segunda-feira, 2 de junho de 2014

E aí, partiu catar o que fazer?

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Desabafo

A verdade sobre hoje é que se eu não escrever, provavelmente vou explodir. É engraçado, agora que coloquei isso “no papel”, atrelar o meu autocontrole a um ato aparentemente simplório, que é escrever. Provavelmente devam existir estudos que se debrucem a respeito desse assunto, embora eu provavelmente não teria paciência para lê-los.

É, eu sou uma pessoa bem impaciente.

A sensação que eu tenho é de que isso, essa ansiedade, essa angústia, só vai passar no dia em que eu, finalmente, parar de respirar. Não sei como eu gostaria que isso acontecesse, na verdade nem sei se eu realmente gostaria de morrer, mas a impressão que eu tenho é de que a morte encerra muita coisa, e dentre essas coisas se encontra boa parte dos meus problemas.

Não é que eu não goste de lidar com eles, não é que eu não tente dar um jeito neles. A questão é que chega uma hora que o seu limite aparece e você só quer explodir um pouco. Extravasar. Liberar, mandar pra fora. Expulsar tudo o que te corrói por dentro.

Sentir um pouco de dor. Um pouco de raiva. Um pouco de rancor. Ser um humano.


Mal posso conter as lágrimas. Atualmente, eu não sei se alguma coisa as faria parar. Não sei se eu procuraria uma solução, tendo em vista toda falta que sinto de coisas que eu sequer tive. Da saudade das pessoas que eu nunca conheci. Da ausência de momentos que jamais vivenciei.

É como se faltasse um pedaço desse quebra-cabeça que compõe todo o meu ser.

Não que não falte pedaços em todas as pessoas, mas eu me sinto incompleta. E talvez não que eu seja realmente incompleta, porque muitas vezes já me senti absolutamente preenchida, sem lugares vagos. Mas eu agora me sinto quebrada, um pouco desgastada, como se houvesse peças faltando. Mas antes, definitivamente, elas estavam ali. Do contrário, não fariam falta.

E me sinto triste por estar tão triste. Parece paradoxal, mas, na verdade, faz bastante sentido. Tem tantas pessoas e coisas boas na minha vida, e eu aqui, chorando sozinha; quando, em vez disso, poderia procurar a companhia delas. Dizer-lhes que estou triste, e que quero muito estar feliz, estar alegre. Poder compartilhar bons momentos com essas pessoas.


Diante de tantas dúvidas, às vezes eu me pergunto se realmente sei o que quero. Se realmente ainda quero continuar por aqui.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Um estudo letárgico

A letargia toma conta do meu ser... E a vontade que tenho é de única e exclusivamente me perder, sumir, desaparecer. A todo custo tento lidar com meus demônios, mas tem sido cada dia mais difícil. Não quero me desfazer do meu sorriso; mas a sensação que tenho é de que a vontade de sorrir me abandona cada vez mais dia após dia. Sei que preciso reagir, me reerguer, seguir em frente.


Outro dia, conversando com uma das criaturas mais encantadoras que já conheci na vida, disse-me ela que à tristeza precisamos construir "monumentos". Construir um monumento para que possamos lembrar-nos das nossas tristezas e derrotas.

Logo mais, me dei conta de que tal raciocínio fazia espantoso sentido. É preciso lembrar, emoldurar, aquilo pelo que já passamos. Isso porque, uma vez passando por situação igual ou semelhante, lembrar-nos-íamos de que somos fortes. E que qualquer situação pode ser superada, mesmo aquelas mais difíceis.

Acho que é disso que preciso... De um "empurrãozinho", de um rumo, um destino. De um caminho a ser traçado, de uma visão a ser seguida.

Acho que posso lidar com isso.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Quem você ama?

Uma questão eminentemente filosófica sempre esteve presente no cenário da minha mente: é possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo?

E eu não falo sobre amar as pessoas da família, ou amar mais de um amigo. Não falo, portanto, de amor fraternal ou de amor de uma amizade. Refiro-me, sim, a amores conjugais, àqueles amores que dedicamos às pessoas com que, em tese, passaríamos a vida.

Neste sentido, algumas considerações faziam-se necessárias. Primeiro, amar uma pessoa neste nível não é simples. O processo todo não tem uma durabilidade dita razoável: tanto pode levar-se anos para amar, como também o é possível de um segundo para o outro.

Nunca se deparou com aquela pessoa especial, e pensou que a amava? Mesmo tendo conhecido-a há apenas alguns segundos?

Eu já.

E não estou falando em paixão, antes que alguém se questione se estou eu a fazer algum tipo de confusão.

Na verdade, importante salientar que é fácil confundir amor e paixão porque, à primeira vista, ambos confundem-se em si mesmos: a paixão e o amor podem ser completamente estonteantes no começo. Alguns dizem que a paixão é avassaladora e que, quando esta acaba, só o que “resta” é amor.

Mas ahn? Só o que “resta”? Não entendo tal pensamento. “Só” e o que “resta” em uma frase que envolva “amor” para mim, honestamente, não faz o menor sentido. Isso porque o amor pode, sim, mover fronteiras, acabar com preconceitos, construir pontes donde antes só haviam muros. Não merece guarida este raciocínio, posto que o amor é um dos mais belos sentimentos já vivenciados pelo ser humano.

Enfim, amor e paixão distinguem-se à medida que tratam-se de coisas diferentes. Dizer que são a mesma coisa é como afirmar que céu e estrelas são a mesma coisa – de fato, não o são, mas andam sempre juntos. Um pode até aparecer sem o outro, mas normalmente mostram-se juntos.

Pensando sob esta perspectiva, e considerando que o indivíduo humano é capaz de muitos feitos, alguns mais incríveis do que os outros, eu sou capaz de afirmar que sim: é possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

Não vejo empecilhos. Não digo que as pessoas precisem rever seus conceitos sobre como, com quem e com quantas pessoas dividirão a sua vida conjugal – longe de mim. Aliás, esse assunto eu jamais discutiria, especialmente porque levaria ao termo “casamento” e, pra ser honesta, essa visão cristã do matrimônio me incomoda um pouco. Eu gosto e prefiro enxergar o casamento como uma união entre pessoas que se amam, e pronto, fim, acabou-se. Ninguém tem nada a ver com isso.

E o amor também é assim, sabe?

Posso dizer que, sim, eu amo mais de uma pessoa ao mesmo tempo. É além de uma paixão, ainda que por ela tenha passado – mas é amor, sem dúvida. E é amor sincero, sem condições, sem exceções. Se sabem? Se estão cientes? Provavelmente não. Mas como sou eu que amo, cabe a mim, única e exclusivamente, revelá-lo. Ou não...

Isso porque, como toda e qualquer interação humana, tais revelações causam mais alarde do que realmente demandam. E como já foi dito, “a linguagem é uma fonte de mal-entendidos”...