terça-feira, 26 de novembro de 2019

Uma adolescência tardia?


Não é de hoje que eu digo e nem é de hoje que eu tenho certeza de que minha vida é fora de época, fora do timing. Parece que eu tô sempre fora do meu tempo e essa talvez seja a única coisa constante pra mim.

Em todo caso, eu descobri a maconha aos 27 anos. Já tinha experimentado antes, mas a experiência tinha sido nula, sem graça. Hoje é praticamente uma realidade no meu ser humano.

Também comecei a beber tarde. Eu tinha mais de 21 anos quando comecei a, de fato, apreciar a bebida. O primeiro porre talvez tenha vindo ali pelos 22, sinceramente não recordo com exatidão.

Não vejo nada disso como errado. Na realidade, eu acho isso até positivo, porque apenas experimentei as coisas que quis no momento em que me senti realmente preparada pra isso.

Assim como fazer sexo. Minha primeira relação sexual aconteceu somente aos 18 anos, já era maior de idade e sabia exatamente o que eu queria. Apesar de já ter tido um relacionamento desde os 13/14 anos, só transei quando me senti confortável. E foi legal.

Do alto dos meus atuais 27 anos eu me sinto meio extraterrestre se a ideia for me comparar às idades em que outras pessoas fazem essas coisas que citei.

Só aos 27 anos que decidi assistir aos filmes das sagas Crepúsculo e Jogos Vorazes, mais uma vez extemporânea ao que praticamente todas as pessoas que conheço são. Não me arrependo.

Quando lançaram Crepúsculo e aquele show de horrores e ódio virulento que se seguiu, eu achei patético. Não entendia nada e achava horrível. Quanta soberba a minha! Quem era eu pra criticar algo que estava no coração de tantas meninas?

Respondo: ninguém. Absolutamente ninguém.

Hoje percebo que meu amadurecimento pra ver algo como Crepúsculo só veio agora, com 27 anos. Antes eu estava mais próxima desses nerds punheteiros e chatos que reclamam de diversidade racial, sexual e social nos filmes de heróis, que não entendem que toda obra é política, até mesmo quando o assunto não aborda política, a obra está sim assumindo uma posição política - já que não grita com os sofridos, está tomando o partido daqueles que oprimem.

E Jogos Vorazes? Como eu poderia começar a falar sobre essa verdadeira masterpiece? É, sinceramente, uma das melhores coisas que eu já tive o prazer de assistir e ler. É político, é rebelde, é feminista, é anticapitalista, é revolucionário. A Katniss é um ícone - ela é forte, ela é guerreira, ela não se entrega e ela tem plena consciência de que esperam dela uma feminilidade e submissão que ela não está nem um pouquinho disposta a entregar. Ela sabe disso e ela continua. Ela até joga o jogo deles, mas ela faz isso por sobrevivência e porque há algo maior do que ela a ser protegido.

Enfim. O que esse devaneio quer dizer? Quero só dizer que não há atrasos e não há tempo perdido, desde que estejamos vivos. Se estamos vivos, ainda há tempo para fazer as coisas, viver um pouco e curtir. E tá tudo bem.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

O dia de hoje ficará eternamente marcado como o dia em que eu recebi a ligação da OAB Cachoeirinha sobre a solenidade de entrega da minha carteira da OAB. E que fique registrado que eu estava completamente chapada, no momento da ligação. Fuck yeah. 

terça-feira, 22 de outubro de 2019

O fim de uma era?

Ia fazer dois anos de um hiatus não planejado aqui. Por alguma razão, eu lembrei da existência desse blog e decidi postar qualquer coisa. Outro dia me peguei com uma crise existencial estruturada em formato de post e ia escrever aqui, mas acabei ficando apenas em choque, sendo a crise inútil para fins de escrever no blog.

Dois anos atrás eu estava dolorida e triste e queria sumir. Hoje, pouco mudou. Terminei minha pós-graduação, agora só falta apresentar o maldito TCC e serei especialista em Ciências Criminais. Finalmente consegui passar na prova da OAB, isso estava me consumindo havia séculos. Agora é esperar toda a burocracia pra pegar a carteira e finalmente poder procurar emprego.

Em casa, sem trabalhar, há mais de um ano, sinto que estou definhando. Os estudos para o exame da ordem levaram de mim o pouco de saúde mental que ainda restava. Eu sinto que meu corpo está derretendo, escorrendo, caindo, desmoronando. Minha mente não é um local, minha mente não é nada - é só bagunça e dor. A dor é tanta que eu não consigo entender se dói a pele ou se dói a cabeça, ou se dói todo o meu corpo, ou, talvez, eu esteja equivocada e tudo o que acontece comigo é dolorido e não tem cura. Não sei, acho que nunca saberei.

Nos últimos dias a depressão tem piorado e tudo o que penso é em sumir, desaparecer. Eu organizo meus contatos e catalogo minhas mensagens, com a esperança de que quem encontrar minhas redes sociais não se chateie muito, quando eu morrer. Eu arrumo minhas coisas como se eu fosse embora, mas não embora daqui, e sim, embora de mim. Eu organizo tudo pra não deixar trabalho pra ninguém. Tudo o que sinto é que sou um peso. Tudo o que eu queria era sumir. Só me falta coragem pra fazer a coisa certa e apagar a minha existência da face da Terra. Quando foi que me tornei tão covarde?

Eu não sirvo nem pra me matar.






Obs.: o título "o fim de uma era?" corresponde à minha insatisfação pessoal de perceber que me tornei o que eu mais temia - uma depressiva disfuncional. Antes, eu conseguia ter depressão e fazer as coisas. Agora, eu me sinto tão danificada que não consigo sequer levantar da cama. Eu não sirvo pra mais nada. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Doadora de órgãos e tecidos

E essa é a parte da minha carteira de estagiária da OAB que mais me emociona - onde menciona que, SIM, sou doadora de órgãos e tecidos.

Não mais. Nunca mais.

De pé, eu sinto o veneno se acumular na minha corrente sanguínea. A substância tóxica se amontoa na base do meu corpo e pesa, de maneira que toda célula, toda molécula, todo átomo e absolutamente todo o meu ser anseia pelo repouso, pela inércia, pelo conforto da cama. Eu quero deitar e dormir.

Eu quero deitar, dormir e ejetar toda a toxicidade existente na minha pele, nos meus órgãos, no ar que eu respiro. Então, eu finalmente deito. Não é uma grande surpresa, parece que eu já sabia que a sensação do meu corpo ser um invólucro de veneno não ia passar. Mas eu precisava deitar e, uma vez deitada, eu sinto toda aquela substância nociva se espalhando, crescendo, multiplicando, fermentando. Eu sou tóxica. Eu não mereço viver. Toda dor que sinto é um lembrete, um aviso, de que eu estou aqui apenas para o sofrimento, recebê-lo e causá-lo.

E é por isso que eu gostaria de sumir. Desaparecer. Fundir meu corpo às paredes. Cair no esquecimento, aos poucos, porque sei que, por mais nociva que eu seja, ainda assim há pessoas que gostam de mim. E eu não queria causar mais nenhum tipo de sofrimento. Não mais. Nunca mais.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Crise estrutural

Vivemos uma crise estrutural. Não, uma crise. Só crise. É tudo o que consigo ver quando olhos para os lados, para cima, para baixo, para o centro, para dentro. Traz o limão, que o sal da vida e a tequila dos beberrões já entrou!

O frio dos corações é contagiante. Somos todos gelados. Descolados, coloridos, cintilantes, unicórnios saltitantes. Queremos atenção, mas estamos pouco ou nada dispostos a cedê-la para outras pessoas. Só queremos ser atendidos; mas atender ninguém, credo, deusmelivre, "que gente mais carente!". Cutucamos, mas não aceitamos ser cutucados de volta. Apontamos duas mãos cheias para os outros; mas quando minimamente comentam nossos defeitos, choramos, brigamos, não podemos ter falhas!

Recentemente li um texto que me chocou: fazia uma releitura sobre o que é exposto no livro/filme Clube da Luta, fazendo uma observação interessante - de que o tema discutido versa, verdadeiramente, sobre a necessidade de haver um ritual de passagem de menino para homem. E fala assim, no masculino, como se o restante do mundo não precisasse da exata mesma coisa.


O texto defende que mulheres já possuem rituais de passagem - um bem explícito, que é a menstruação. Até faz sentido. Depois tem a festa de debutante, famosos "15 anos", no qual a moça dança com os homens presentes que se voluntariam para a tarefa. Bastante sugestivo, achei ofensivo e realista, nojento por sinal e, por favor, posta mais. 

Menstruei com 12 anos. Ou 13. Não lembro. Foi horrível. Eu lembro de chorar porque eu queria ser criança por mais tempo. Que bobagem... Afinal, fui criança por muito mais tempo, não foi um sangue na vagina uma vez por mês que mudou isso. E hoje, com 25 anos, sinto que cada vez mais faço questão de ser criança, mesmo que isso ofenda algumas pessoas, que esperam alguma maturidade de mim. É ingenuidade pensar que a menstruação me transformou em mulher e mais ingenuidade ainda achar que minha festa de 15 anos tenha significado alguma coisa a respeito de virar mulher - nada disso teve qualquer tipo de efeito nesse sentido.

Bom, eu sou madura. Eu acho. Não sei. Eu também era uma criança particularmente madura, então acho justo ser um adulto particularmente infantil - pra compensar as coisas.

O que esse texto deixou de considerar é que talvez essa necessidade de transformar meninos em homens - essa urgência em fazê-los sair da zona de conforto de "cuidado" para "cuidadores", é uma emergência generalizada. Não se trata de meninos/homens, e eu também estaria sendo simplória por dizer que se trata de meninas/mulheres; eu acho que a crise é muito maior: se trata de crianças/adultos.

Somos todos crianças. Deveríamos ser adultos.

Em algum momento, as pessoas deveriam crescer e enfrentar seus medos. Abrir-se e encarar os outros, como o termo sugere, olhando nos olhos. Vivemos morrendo de medo. Talvez o correto seja: sobrevivemos morrendo de medo, assustados com nossos cérebros, reprimindo nossos instintos e emoções, porque achamos que eles podem nos causar problemas. E podem mesmo. Mas nós já deveríamos ser "adultinhos" o suficiente pra aceitar e lidar com isso.

Vivemos uma crise estrutural.

Não, uma crise. Só crise. É tudo o que enxergo ultimamente.

sábado, 3 de junho de 2017

I'm begging you:
Please, do not fall in love.

Not yesterday
Not today
Not tomorrow

Please

I
am
begging
you

...
Or, at least...
This time, please,
you could just be
bulletproof