Certo dia um senhor passava em frente a uma pequena lavoura onde trabalhavam dois roceiros e ateve-se para observá-los. O trabalho daqueles dois homens consistia em: um cavava um buraco e outro, logo atrás, ia cobrindo as pequenas covas. O senhor achou aquela atitude muito esquisita e, por mera curiosidade, decidiu chamar a atenção dos dois homens que ali trabalhavam e perguntou a eles:
- Escutem, rapazes. Porque é que vocês passam o dia inteiro cavando e cobrindo buracos? Em minha concepção, isso soa absurdamente sem nexo.
Um dos roceiros tomou a frente e respondeu:
- Sem nexo para o senhor, senhor. É que estamos sem o semeador, ele é o segundo na fila. Este aqui - apontou o outro homem - cava os buracos, o semeador larga as sementes e eu preencho com terra.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
O semeador
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010
Eu, você e todos nós
Eu, você e todos nós
Martha Medeiros
Eu, você e todos nós estamos a procura de algo que ainda não experimentamos, algo que a gente supõe que exista e que nos fará mais felizes ou menos infelizes. Eu, você e todos nós tentamos salvar nossas vidas diariamente, e qual a melhor maneira para isso? Trabalhar e amar, creio eu, mas não é fácil. Os que não conseguem realizar-se através do trabalho e do amor tentam salvar-se das maneiras mais estapafúrdias, alguns até colocando-se em risco, numa atitude tão contraditória que chega a comover: autoflagelo, exposição barata, superação de limites, enfim, os meios que estiverem à disposição para que sejam notados. Eu, você e todos nós somos crianças das mais diversas idades.
Pedimos pelo amor de Deus que o telefone toque e que a partir deste toque um novo capítulo comece a ser escrito na nossa história. Fingimos que somos seres altamente erotizados e na hora H, amarelamos. Depositamos todas as nossas fichas amorosas em pessoas que não conhecemos senão virtualmente. Disfarçamos nosso abandono com frases ousadas e sem verdade alguma. O que a gente gostaria de dizer, mesmo, é: me dê sua mão.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
A Tristeza Permitida
A Tristeza Permitida
Martha Medeiros
Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?
Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
Ficha Limpa
Em relação ao tema Ficha Limpa, após exames dos votos dos Ministros do STF, qual a solução adequada para o caso? O método Gramatical foi o que gerou a referida indecisão? Quanto aos critérios Hermenêuticos, no caso, seria Teoria Objetiva ou Subjetiva? Justifique.
Dependendo da perspectiva a qual iremos nos ater para solucionar o caso Ficha Limpa, ela resultará em situações diversas. Observando-se pela ótica política, é um tanto quanto óbvio que este caso só não recebeu a devida atenção pelo simples fato de que não havia o interesse por parte dos envolvidos em resolver o impasse. A lei, o texto legislativo, foi levado em consideração apenas no momento em que foi conveniente para atrasar o prosseguimento deste feito. Portanto, a solução política foi distorcer a leitura da lei e prejudicar o cumprimento do dispositivo em questão.
Por outro lado, temos a solução jurídica – esta sim diz respeito ao impasse que estamos discutindo. Poderíamos, com pequena margem de erros, interpretar sistematicamente. De forma a elucidar o significado da interpretação sistemática, dispomos do seguinte conceito:
Qual a função da interpretação?
Da série: ensaios acadêmicos (falhos ou não).
Qual a função da interpretação?
No Direito, a interpretação tem por função principal explicar e trazer à tona o significado contido nos textos legislativos. Isto quer dizer que tais dispositivos servem para guiar o agente, dizer como e quando deve agir e sobre quem tem de fazer a lei atingir. A interpretação jurídica não se resume a pura e simplesmente produzir o sentido dos símbolos lingüísticos das normas, mas também busca analisar os fatos que são apreciados pela lei.
Existem muitas formas de interpretação: método gramatical, extensivo, restritivo, doutrinário, sistemático, histórico, sociológico, entre outros. Todos, de uma forma ou de outra, buscam explicar o significado gélido e de certa forma estático contido no texto normativo. É fato que as relações sociais modificam-se em rápida velocidade, mas também devemos analisar que um conjunto de normas não pode ser simplesmente alterado a cada novo caso concreto que se apresente perante um tribunal. Mas, por outro lado, a idéia de justiça é perseguida, sem dúvida alguma. É para esta consolidação, para atingir este patamar consensual que temos na interpretação uma de suas funções principais: buscar o que é justo.
Interpreta-se, também, buscando a igualdade, levando-se em conta princípios fundamentais como o da dignidade humana, de forma que esta ferramenta passa a transformar o campo inerte dos textos legislativos.
Autoria própria.
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