Na verdade, esta história de sentir elogios é algo "muito meu" e ouso dizer que é "muito sério". Quando nossos olhares se cruzaram, pude pensar sobre isso com muita calma. Andrew encarou-me com tanta vivacidade e fome e ânsia e medo e vontade e ganas, consegui divisar bem o que era um elogio sentido e mudo. Estava ali, explícito - mas explícito para mim, e totalmente secreto para os poucos transeuntes do local -, já estava dito tudo aquilo que ele ainda não havia me falado.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Capítulo VI - Amendoados
Cheguei a meu destino e sentei na guarda do banco. Chamei Andrew para perto de mim. Sentou-se no lugar que tinha esse fim. Comentamos qualquer bobagem sobre o tempo. Meu amigo sustentava os braços nos joelhos, e as mãos amparavam a própria cabeça. Desci da guarda em silêncio, posicione-me à sua frente, de modo que nossos olhos se cruzaram.
Mergulhei naquele espelho, dei o passo a frente para o abismo.
domingo, 4 de abril de 2010
Capítulo V - Sutil
Voltando ao assunto, soltei o braço de Andrew e corri até o banco da praça. Obviamente ele não me acompanhou de imediato. Não porque fosse lento. Aliás, o seu raciocínio rápido e sucinto me fascinava. Mas não. Ele se permitiu ficar para trás para, enfim, me observar com toda vontade que tinha.
Sim, ele era assim. Um sacana, eu diria. Mas é, eu gostava que ele fosse desse jeito, tímido e reservado, que me "espiasse" sem escancarar. Além de odiar calor, sol e verão, eu também não gostava de homens com comportamento incisivo.
Sim, ele era assim. Um sacana, eu diria. Mas é, eu gostava que ele fosse desse jeito, tímido e reservado, que me "espiasse" sem escancarar. Além de odiar calor, sol e verão, eu também não gostava de homens com comportamento incisivo.
Capítulo IV - Ódio
Já falei de meus cabelos. Como na maioria das vezes, estava displicente, bagunçado. Sempre lisos, os fios negros nunca deixaram de rebeldia. Uma textura macia que eu consegui com certa dificuldade.
Até ali já havia falado de minha saia, mas agora que soltei do braço de Andrew e corri até o banco da praça, não posso deixar de lembrar o quanto os pilares de meu corpo chamam sua atenção. Por vezes o flagrei observando minhas pernas. Eu não o compreendo, pois pessoalmente não vejo graça alguma nelas. É claro que eu ri por dentro quando o vi deleitando seus olhos em minhas coxas. O engraçado é que sequer são modelos de beleza - bem, pelo menos não modelos dos padrões vigentes. Desde sempre tive a pele clara. Na verdade, branquela com todas as minhas forças. De começo, não tive escolha: ai de mim não fazer uso do bloqueador solar com maior fator disponível.
Até ali já havia falado de minha saia, mas agora que soltei do braço de Andrew e corri até o banco da praça, não posso deixar de lembrar o quanto os pilares de meu corpo chamam sua atenção. Por vezes o flagrei observando minhas pernas. Eu não o compreendo, pois pessoalmente não vejo graça alguma nelas. É claro que eu ri por dentro quando o vi deleitando seus olhos em minhas coxas. O engraçado é que sequer são modelos de beleza - bem, pelo menos não modelos dos padrões vigentes. Desde sempre tive a pele clara. Na verdade, branquela com todas as minhas forças. De começo, não tive escolha: ai de mim não fazer uso do bloqueador solar com maior fator disponível.
Capítulo III - Roxo
Em determinado momento, depois de algumas gargalhadas, fui me dar conta do que ele vestia para cobrir o tórax. Apesar de roxa, não era uma camiseta comum, mas uma camisa pólo, discretíssima. Minha cor predileta. Ele sabia disso, aliás.
Certa vez eu havia comentando que tal cor era representante dos loucos, doidos, insanos. Andrew perguntou-me o porquê. Na época não revelei. Não fiz questão. Talvez o achasse um pouco jovem para dar a resposta (ora, não seja por isso, eu também o era...). Desconversei. Talvez fosse hoje o dia em que ele iria descobrir. Ou não.
Certa vez eu havia comentando que tal cor era representante dos loucos, doidos, insanos. Andrew perguntou-me o porquê. Na época não revelei. Não fiz questão. Talvez o achasse um pouco jovem para dar a resposta (ora, não seja por isso, eu também o era...). Desconversei. Talvez fosse hoje o dia em que ele iria descobrir. Ou não.
Capítulo II - Confiança
Curioso. Era curioso, embora fizesse de tudo para não admitir. E sempre teve muitas curiosidades relacionadas a minha pessoa. Eu bem sabia que ele as tinha, mas não fazia questão alguma de saciá-las.
Au contraire. Um de meus prazeres era fazê-lo um tipo de escravo de suas especulações. Deixá-lo instigado, deixá-lo aflito. Mas ele não demonstrava, o que quer que fosse.
De fato, passou-se muito tempo até que ele finalmente criasse coragem ou, quem sabe, eu conquistasse a sua confiança, para que ele enfim começasse a me contar suas particularidades.
Au contraire. Um de meus prazeres era fazê-lo um tipo de escravo de suas especulações. Deixá-lo instigado, deixá-lo aflito. Mas ele não demonstrava, o que quer que fosse.
De fato, passou-se muito tempo até que ele finalmente criasse coragem ou, quem sabe, eu conquistasse a sua confiança, para que ele enfim começasse a me contar suas particularidades.
Capítulo I - Curioso
Saiu Andrew enganchado em meu braço, vínhamos pela escura cidade passeando, os dois bons e velhos amigos. Ele vinha me contando seus segredos e, a bem da verdade, suas confidências amorosas...
Meus cabelos soltos, cobrindo um pouco da face. Saltos altos, ele até ria de mim, embora eu via em seus olhos que, mesmo interiormente, ele tinha de admitir que meus passos tinham certa leveza; havia uma delicadeza em minha postura, algo nas pernas sustentadas por aquelas "agulhas" era gracioso, atrativo, o deixava curioso.
Meus cabelos soltos, cobrindo um pouco da face. Saltos altos, ele até ria de mim, embora eu via em seus olhos que, mesmo interiormente, ele tinha de admitir que meus passos tinham certa leveza; havia uma delicadeza em minha postura, algo nas pernas sustentadas por aquelas "agulhas" era gracioso, atrativo, o deixava curioso.
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